Quando Toy Story apareceu em VHS (isso mesmo, ainda era 1996 e tinha um respeitável aparelho de videocassete), minha expectativa era altíssima – e se não me engano, foi absolutamente atendida. Porém, com o passar do tempo (o filme revolucionou a animação, abrindo espaço para a utilização de efeitos computadorizados) comecei a sentir a falta das velhas animações 2-D, que ainda são minhas favoritas. E provavelmente jamais deixarão de ser; não sei por que tenho a tendência de valorizar mais aquele produto, como se o esforço do homem fosse mais aplaudível que a semi-perfeição de um computador. Muitos pensam o contrário, e certamente a nova geração de cinéfilos jamais se imaginaria sem a Pixar (a empresa que parece impassível de erros, recentemente comprada pela Disney). O último grande filme do estúdio é, exatamente, o terceiro episódio de Toy Story, que veio de um segundo capítulo menos inspirador e inaugurou o 3-D estereoscópico. Mas esta tecnologia de nome difícil é o que menos chama atenção, acredite. Toy Story 3 é uma despedida; e não apenas por fechar a trilogia, mas por virar uma página que muitos lamentam (hoje) ter virado. É a transição da infância para a adolescência.
E alguém já parou para imaginar o que se passa pela mente de
nossos brinquedos inseparáveis, fiéis escudeiros? Nem me chame de louco – sim, brinquedos são inanimados – mas não é o que pensa o ótimo roteiro assinado por Michael Arndt, John Lasseter, Andrew Stanton e Lee Unkrich. Woody, Buz e seus parceiros de plástico estão numa encruzilhada: o dono, Andy, prepara-se para ir à faculdade, e escolherá entre doá-los ou descartá-los no lixo. Uma pequena e divertida confusão, logo no início do filme, os levará a uma creche vicinal, lotada de crianças pequenas e destruidoras (a fase em que nada é mais atraente que morder, amassar ou quebrar um boneco). Como todo educandário infantil, o lugar é dividido entre as idades, sendo as crianças mais velhas naturalmente portadoras de brinquedos mais imaculados. E é para lá que Woody e seus amigos querem ir, para preservar suas vidas – não sem perceberem, a certa altura do filme, que o verdadeiro lugar que lhes acomoda é o sótão de Andy (lugar seguro que quando menos, permitirá que eles se tornem uma boa lembrança).
Se tratando da Pixar, é inútil dizer que Toy Story 3 é maduro e encantador. Mas é curioso notar como tem-se dado espaço à construção de roteiros cada vez mais elaborados, que dialoguem bem com crianças e adultos – ao adulto que acompanhar a criança na sessão, também é garantida a qualidade (e funciona muito mais para aqueles que atingiram a adolescência ou maioridade há algum tempo e não tiveram uma infância refém de videogames e computadores). Nada de longas onde animais cantantes tentam ser didáticos, Toy Story 3 mostra às crianças um universo real, escondido em alegorias brilhantes e cheias de significado. Surpreende, ainda, observar o tamanho cuidado dispensado a uma produção que poderia simplesmente ser uma mera sequência – feita para faturar mero dinheiro; tanto que não é nenhum exagero considerar este o melhor dos três filmes; é como se os anteriores fossem necessários para que o último atingisse tamanho nível de inteligência.
Se continuo a preferir animações 2-D? Sim, ainda acho a pureza dos
primeiros filmes Disney (ou mesmo a dramaticidade épica de outros vislumbrados na década de 90) imbatível. Mas é cativante perceber sentimentos destes velhos filmes serem resgatados de tal maneira. Assistir à Toy Story 3 nos dá a noção exata da profunda emotividade celebrada pelo passado – e nos faz sofrer em silêncio, pelos anos que não voltam mais. Como frear as lágrimas na sequência final, no close massacrante que se fixa no olhar de personagens, que feitos para divertir, também podem chorar? E por onde andam seus brinquedos? Nas mãos de pessoas desconhecidas? Ainda estarão inteiros? Ou guardados numa caixa empoeirada? Se a última opção for escolhida, procure por ela, abra-a e observe o quão de você ainda vive naqueles inocentes seres (os meus tinham nomes!) de plástico e borracha. E sinta saudade.
NOTA: 8,5
![]()

















Segundo melhor filme do ano passado (perdeu para A Origem) e o terceiro melhor dos indicados ao Oscar 2011 (evidentemente, Cisne Negro ficou com o segundo lugar), não é só o melhor da trilogia, como uma animação revolucionário e bem escrita. Emocionante e inteligente, revela toda aquela vida deixada na infância, e toca em certas feridas nossas passadas. Um filme para os meus filhos. Abraços.
RODRIGO, adoro Toy Story 3 e concordo que seja um dos grandes filmes do último ano. Usou uma bela definição para o longa: “um filme para nossos filhos”. Abraços.
MARAVILHOSO! ENCANTADOR, e mais um monte de adjetivos graciosos! Uma delicia de filme, que tive o prazer de conferir no cinema e levar a minhã irmã de 9 anos, que se encantou, se maravilhou e já assistiu outras 12 vezes ao filme ;D Uma obra-prima da animação!
CLEBER, lamento por não ter conferido este belo filme no cinema! E eu ainda não assisti a Toy Story 3 12 vezes, apenas duas!
Muitos assistiram e se apaixonaram por “Toy Story” na infância. Meu sentimento pelos filmes ficou muito maior, ainda mais por ser o primeiro filme visto no cinema, se referindo ao primeiro filme e até hoje, juntamos a família para assistir quando passa na sessão da tarde, mesmo tendo os DVDs. rsrsrs. Sobre o terceiro, ele fechou com chave de ouro a série, a turma do Woody e Buzz estará sempre em nossas lembranças de brincadeiras.
Beijos!
MAYARA, não assisti a Toy Story no cinema, apenas em vídeo (o velho VHS) e é realmente um longa que nos convida a diversas revisões. Muito prazeroso! E a trilogia foi fechada com uma produção muito madura, ninguém jamais esquecerá destes brinquedinhos tão adoráveis! Beijos!
Obra-prima.
WALLACE, não considero obra-prima, mas chega perto.
Acho que deve ser o único filme incontestável entre os indicados ao Oscar deste ano. Eu posso preferir “A Origem” ou “Cisne Negro”. Outro pode gostar mais de “A Rede Social”. Mas todo mundo gosta de “Toy Story 3″.
Abs!
OTAVIO, ótimo argumento! Todos tem seu preferido (e ele às vezes é o próprio Toy Story 3), mas quem ao menos não admira este lindo filme da Pixar? Abraços!
Pingback: Os Dez Filmes do Oscar 2011 | O BRADO RETUMBANTE!
Fui ver no cinema e achei um filme “bonito”, sendo a estória meio fraca comparada com os dois primeiros. Chorei rios no fim, achei que teve uma “moral” interessante. Mas nao é o melhor filme da PIXAR
FÊ, engraçado, porque achei este o melhor de todos! Mas realmente não é o melhor filme da Pixar – este posto pertence a Wall-E!
Primeiramente parabéns pela descrição exata deste filme, em muitas palavras, vc pode passar a verdadeira sensação que o filme causou na grande maioria dos telespectadores, amantes de filmes em 2d ou 3d. A veracidade dos sentimentos nos fez pensar que apesar do apego aos brinquedos, está muito mais associado ao que significaram para cada um de nós, trazendo a nostalgia à tona e nos deixar cheios de lágrimas, este que foi a grande sacada dos criadores para o desfecho da seqüência Toy Story. Recomendo ter todos os 3 filmes, e assistir sempre que pintar uma oportunidade, afinal recordar e viver mais um pouco aquele momento mágico do passado.