Os Indicados ao Oscar 2012

A A.M.P.A.S. através de seu diretor, Tom Sherak, e da bela atriz Jeniffer Lawrence, anunciou nesta terça (24) os filmes, atores e outros profissionais que tiveram a sorte de ser apontados como os melhores do ano – sim, sorte, já que uma das maiores atrizes de todos os tempos, Meryl Streep lembrou bem “que o Oscar ainda tem muita importância”. Jeniffer estava confiante e não demonstrou nenhum traço de nervosismo; sua bela voz anunciou os indicados com perfeição (situação diversa daquela vivida por Mo’nique em 2011), e de acordo com cada categoria, pudemos notar que a maior premiação do cinema ainda tem enorme capacidade de surpreender – positivamente ou não.

A começar pelas categorias técnicas, efeitos visuais, edição e mixagem de som transcorreram sem grandes novidades – filmes como O Planeta dos Macacos: A Origem, Cavalo de Guerra, A Invenção de Hugo Cabret e Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II (que encerrou a saga sem conquistar a tão cobiçada indicação a melhor filme) reinaram absolutos. Primeiro ponto negativo: Drive lembrado apenas em edição de som; toda lembrança é válida, mas ignorar um filme que brilhou tanto no último Festival de Cannes só atesta imaturidade.

A trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross (responsáveis pelas partituras de A Rede Social) foi a grande ausência na categoria – que lembrou duplamente do eterno mestre John Williams (As Aventuras de Tintim e Cavalo de Guerra, esta última ligeiramente melhor). Infelizmente, por tradição, duplas indicações significam impossibilidade de prêmios, e certamente a trilha sonora de O Artista (Ludovic Bource) deve sair vitoriosa. Claro, Howard Shore, responsável, ao lado de Phillip Glass, pelas melhores trilhas da última década, concorre por A Invenção de Hugo Cabret e pode surpreender. Em relação a canção original, o espanto fica pela indicação de apenas duas músicas; se não me engano, jamais foram apontadas menos de três, o que não só levanta a dúvida da durabilidade desta categoria na esfera do prêmio, como também o despreparo dos responsáveis pela lista. Como pode, num ano inteiro, surgir apenas uma dupla de canções elegíveis? Numa lista imensa de pré-selecionados? Não colou. A vantagem é uma apenas: o fato de “Real in Rio”, uma das nomeadas, composição dos brasileiros Carlinhos Brown e Sergio Mendes, chegar até mais forte que a concorrente, “Man or Muppet”, do divertido Muppets – O Filme. Já que a Academia fez o favor de esnobar Tropa de Elite 2 (azar o dela, vale frisar) não seremos espectadores apátridas.

Fotografia, direção de arte, figurinos e montagem seguem sem surpresas, nem tampouco grandes decepções. Talvez a maior ausência fique por conta dos costumes de Histórias Cruzadas, até então peças certas dentro da categoria. Cavalo de Guerra alcançou nomeações dentro dos dois primeiros quesitos, e A Invenção de Hugo Cabret (que por acaso lidera com 11 indicações, o que quase nunca é sinal de boa safra) nos quatro. Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, refilmagem do filme sueco de 2010, seria uma tremenda bobagem desnecessária não fosse o nome de David Fincher na direção – o que deu prestígio necessário para que o longa fosse lembrado em duas categorias essenciais à festa (fotografia e montagem). O polêmico filme de Madonna (W.E.) e Jane Eyre ficaram a ver navios numa visão global e tiveram de se contentar com o título “um dos 5 melhores figurinos de 2011”. Para maquiagem, ficaram registrados três excelentes trabalhos: Harry Potter 7.2, A Dama de Ferro e Albert Nobbs.

Entre os filmes estrangeiros (Tropa de Elite 2 deveria estar aqui), previsibilidade total – só Pina, de Win Wenders, que parecia um nome certo, acabou na categoria de melhor documentário. A Separação, filme (ironicamente) iraniano é na teoria, o favorito, já que levou o Globo de Ouro, e Bullhead (Bélgica), Mounsier Lazhar (Canadá, outra vez), Footnote (Israel), e In Darkness (da polonesa e excelente diretora Agnieska Holland) completam a lista. A segunda grande injustiça do dia ficou por conta da categoria filme de animação; como ignorar As Aventuras de Tintim e Rio (sou patriota!) em detrimento de Gato de Botas e Kung Fu Panda 2? Como? Rango é o favorito, mas Chico e Rita e Um Gato em Paris (animações mais tradicionais, sem efeitos protuberantes) foram bem cotados junto à crítica e podem, quem sabe, surpreender.

Em roteiro original, surpreendeu ver Missão Madrinha de Casamento, não necessariamente por ter tomado o lugar de outro mais cotado, mas principalmente pela má qualidade diante de uma porção de outros mais elaborados. Não é do feitio do Oscar apontar roteiro de filmes estrangeiros, mas A Separação mostrou força e está entre os cinco. Margin Call (muitos apostavam em Jovens Adultos), O Artista e Meia Noite em Paris (que deve sair vencedor, e alguém irá recebê-lo para Woody Allen, já que este optou por dar uma banana a todas as premiações) completam a categoria. Entre as adaptações, ficou a ausência de Histórias Cruzadas – o que invariavelmente enfraquece o longa à qualquer aspiração como melhor filme. Os Descendentes (vencedor quase certo), Hugo Cabret, O Homem Que Mudou o Jogo (que parece o feel good movie da temporada ao lado de Histórias Cruzadas), Tudo Pelo Poder (belíssima adaptação) e O Espião que Sabia Demais (que abocanhou uma série de nomeações inesperadas, inclusive esta) foram os contemplados.

Nas atuações, surpreendeu o esquecimento da garota Shailenne Woodley (Os Descendentes) para a entrada de Janette McTeer (Albert Nobbs). Entre os coadjuvantes, uma indicação inesperadíssima (o grande Max Von Sydow, em Tão Forte, Tão Perto) tirou a certeza da lembrança de Albert Brooks, em Drive. O próprio deve ter sentido o sabor da injustiça, já que era apontado como um dos favoritos. Seria ótimo se Sydow, nesta altura da vida, levasse o prêmio, mas outro monstro sagrado da dramaturgia, Christopher Plummer (Todas as Formas do Amor), que também não possui o seu Oscar (e já merece há séculos) deve receber a honraria. Entre as atrizes, o inadmissível esquecimento de Tilda Swinton, por Precisamos Falar Sobre Kevin, para a entrada da até então azarona Rooney Mara (Os Homens Que Não Amavam as Mulheres). A diva Meryl Streep, que parece a única coisa útil de A Dama de Ferro, foi lembrada e (quem sabe) pode receber seu terceiro Oscar, depois de quase 30 anos. Michelle Williams (Sete Dias com Marylin) pode ser um perigo em potencial. Já Glenn Close (Albert Nobbs) deve aceitar o fato de que o Oscar mais uma vez irá ignorá-la. Viola Davis (apontada na verdade, como coadjuvante entre protagonistas) também representa enorme perigo ao sonho de Meryl (e ao meu!). Os atores principais são George Clooney (mais cotado, por Os Descendentes), Brad Pitt (que além de ator, é produtor de O Homem Que Mudou o Jogo), Démian Bichir (surpresa, do desconhecido A Better Life), Gary Oldman (na primeira indicação, por O Espião Que Sabia Demais) e Jean Dujardin (que pelo retrospecto parece ser o maior merecedor, por O Artista). Tentemos, porém, descobrir porquê o Oscar gosta de pregar peças em Leonardo Dicaprio, que até esta manhã tinha seu nome relacionado em todas as listas. Se J. Edgar foi mal com a crítica, A Dama de Ferro também foi. E Meryl esteve lá. Lamentável o que fizeram com o ator.

Se os cinco diretores nomeados fossem associados diretamente aos cinco melhores filmes do ano (o que seria bem coerente), teríamos A Árvore da Vida (que felicidade vê-lo aqui), Meia Noite em Paris, Os Descendentes, A Invenção de Hugo Cabret e O Artista como os grandes campeões. Certamente o Oscar de melhor filme deve ficar com um destes, já que Terrence Malick (a surpresa que me fez acreditar definitivamente na justiça, já que seu soberbo trabalho vinha sendo esnobado), Woody Allen, Alexander Payne, Martin Scorsese e Michael Hazanavicius estão apontados como os grandes diretores de 2011. Porém, outros quatro filmes completam a lista de melhores do ano, e são eles Histórias Cruzadas, Cavalo de Guerra, O Homem Que Mudou o Jogo e (surpresa do dia, junto às nomeações de A Árvore da Vida) Tão Forte Tão Perto, do superdiretor Stephen Daldry. A cerimônia ocorre dia 26 de fevereiro, e promete ser previsível e surpreendente, meio a meio – como de certo modo, foram as indicações.  O que já torna tudo mais interessante.

Assista às nomeações aqui.

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9 Comentários

Arquivado em Cinema, Oscar

9 respostas para Os Indicados ao Oscar 2012

  1. Indignamos com as mesmas coisas, assim como nos alegramos. Porém, pelo jeito, eu gostei mais de “Os Homens que não amavam as mulheres” e é o filme base a algumas substituições que faria em algumas categorias, principalmente por achar que a qualidade de “Os Descendentes” para na atuação de Clooney e em seu roteiro, no mais tiraria das demais modalidades, assim como “Moneyball” também tenha tomado lugares indevidos.

    Abraços!

    • ALYSON, ainda não vi a versão americana de “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres”. Todos os meus apontamentos são hipotéticos. O mesmo em relação a “Os Descendentes” e “O Homem Que Mudou o Jogo”. Pretendo fazê-lo o mais breve possível. Abraços!

  2. As minhas duas maiores alegrias na lista de indicados ao Oscar 2012 foram as indicações de “A Árvore da Vida” para Melhor Filme e Diretor. Acho muito louvável a AMPAS apostar nas surpresas entre os indicados, mas, no fundo, a gente sabe que a corrida ao prêmio já está mais que definida…

    • KAMILA, também foram as minhas grandes alegrias. O Oscar provou que pode nos surpreender. E quem sabe, as vitórias não sejam igualmente surpreendentes? É um tanto difícil, mas o Oscar já deixou muitas pessoas de queixo no chão durante as cerimônias. Esperemos…

  3. Fiquei extasiado com as indicações para A Árvore da Vida, ainda que saiba que o filme não deve levar nada (a disputa ficará mesmo entre O Artista e Os Descendentes, com Hugo correndo por fora). Por outro lado, fiquei triste com algumas ausências: a esnobada geral em Drive, Os Homens que Não Amavam as Mulheres em filme e direção, Michael Fassbender em melhor ator… na verdade, não assisti nenhum desses filmes, mas as expectativas são altas e a confiança em suas qualidades também…

    • WALLACE, concordo com seu comentário. Também não vi estes filmes, mas é óbvio que “Drive” e Fassbender mereciam ser lembrados – um rápido retrospecto mostrará o enorme sucesso que fizeram nos últimos festivais. Sobre “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres”, fica a dúvida, já que o filme não fez tanto alarde. Mas trata-se de um longa de David Fincher. Um longa de suspense de David Fincher. Difícil pensar que deu errado.

  4. Ótima análise… também fiquei feliz em ver Terrence Mallick indicado, assim como o filme e também estranhei a ausência do Di Caprio, convenhamos, um dos melhores atores de hoje em dia.

    Drive só em som é revoltante e também estou tentando entender a indicação do roteiro de BRIDESMAIDS. Mesmo sendo uma boa comédia, é um exagero.

    • BRUNO, tomara que o Oscar não decida que Leonardo merece apenas um prêmio pelo conjunto da obra, aos 80 anos. Lembrar de “Drive” em som parece uma afronta, um deboche. Ridiculo apontar uma categoria técnica tão pequena em detrimento de inúmeras outras elegíves. Sobre “Missão Madrinha de Casamento”, vejo que concorda comigo: é um roteiro ok, mas com muitos defeitos; jamais deveria estar entre os 5 melhores do ano. Pelo menos ficou fora dos indicados para melhor filme…

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