Por que a Globo Filmes ainda coloca um cheque em branco nas mãos de Hubert e Marcelo Madureira? É uma pergunta de resposta óbvia. Os dois integrantes do Casseta e Planeta conseguiram respeito por conta da experiente carreira, além do motivo óbvio de serem coautores de um dos programas mais irreverentes da década de 90. Pois bem, As Aventuras de Agamenon – O Repórter, mais novo filme financiado pela produtora e roteirizado pela dupla, reflete exatamente o momento pelo qual ambos estão passando. Casseta e Planeta foi afastado da programação, não somente pelo esgotamento, mas pela má qualidade de seu texto, e o grupo (que ainda conta com Helio de La Peña, Beto Silva, Reinaldo e Cláudio Manuel) pediu à cúpula de sua emissora que lhes desse tempo para reformulação. Reformulação que deveria ser concluída até meados de 2012 – período que marcará o retorno da turma à televisão, após dois anos. Pelo que se pode ver em Agamenon, nada, absolutamente nada, mudou. Pelo contrário: o mau gosto, outrora considerado comum em seus roteiros, alcançou agora nível superior. Atingiu um patamar que desperta o desprezo completo da audiência. Este é, de fato, um dos poucos filmes que jamais deveriam sair do papel; na verdade, sequer deveria ter sido elaborado.
A narrativa acompanha a vida de Agamenon Mendes Pedreira, um repórter que supostamente teria mais de 100 anos e acompanhou uma série de eventos importantes na História da Humanidade, bem como conheceu personalidades de igual destaque. Achou parecido com o argumento de Forrest Gump – O Contador de Histórias? Sim, de fato é possível estabelecer alguma semelhança, mas uma gota de bom-senso mostrará o quão herético é tentar compará-los. Agamenon até possui argumento digno, que se bem trabalhado, poderia ter rendido frutos, no mínimo, aceitáveis. Mas o roteiro põe tudo a perder. Se é que existe roteiro (e não uma colagem de situações desconexas). Interpretado por Marcelo Adnet na primeira fase e Hubert na segunda (responsável por grande parte das cenas desprezíveis), Agamenon vai a Segunda Grande Guerra e começa a estabelecer os primeiros contatos com personalidades internacionais. De Hitler à Albert Einstein, indo e voltando no tempo sem nenhum tipo de critério, Agamenon deixa a esposa Isaura (Luana Piovani, que diz não fazer televisão por conta dos maus papéis, deve ter achado este ótimo) enquanto se envolve com outras mulheres famosas, como Eva Braun e a Princesa Diana. A falta de respeito com muitos destes, já mortos, é impressionantemente enojante. Existem aqueles que defendem o politicamente incorreto, mas usar de pessoas celebradas para soltar piadas inúteis à narrativa é no mínimo desrespeitoso. Ou você acha engraçado o repórter entrevistar Mahattma Gandhi e este dizer que recebeu um convite para posar nu em Playboy? Talvez prefira a parte em que Albert Einstein diz que acha Pedro Bial um gato!
Pedro Bial é, aliás, uma das muitas celebridades que aceitaram participar deste longa (aqui ele vive a si mesmo, alimentando uma disputa contra o protagonista, teoricamente mais famoso). Este detalhe levanta uma questão bem interessante: valeu a pena envolver Caetano Veloso, Fernando Henrique Cardoso, Ruy Castro, Suzana Vieira, Paulo Coelho (em depoimentos falsos sobre Agamenon) e Fernanda Montenegro (na narração das “aventuras”) num produto tão baixo? Digo no sentido de pagar os cachês – porque se todos eles aceitaram entrar nesta produçãozinha de quinta categoria é porque pouco se importam com o quê a imagem estará associada. Na verdade, a etiqueta Globo Marcas dá, a muitos, a impressão de que o produto é confiável; contudo, aposto que muitos deles devem estar pensando agora, após o lançamento desta “bomba”: “deveria ter dito não”. Situação diferente a de Marcelo Adnet (um dos melhores comediantes do país), já que este, numa negativa, alimentaria antipatias. Deve ter se sentido na obrigação de prestigiar aqueles que, em outro tempo, lhe serviram de inspiração.
Agamenon não tem sentido, é essa a verdade. As piadas (só as chamo assim porque não conheço um antônimo apropriado) são horríveis, os eventos históricos não seguem um padrão lógico, não há respeito algum pelas figuras históricas e pelo quê muitas representam para milhões de pessoas. Enfim, uma baboseira interminável, que consegue transformar meros 70 minutos numa jornada de desconforto total. Talvez a atitude certa fosse não dar a As Aventuras de Agamenon – O Repórter mais que indiferença. Sim, é possível não levá-lo a sério. Mas analisar um filme, seja ele qual for, é o papel do verdadeiro cinéfilo. E analisando-o bem, o veredicto não podia ser outro. Após a sessão, me senti triste; Agamenon é o segundo filme que avaliei com um zero em toda minha vida; o primeiro foi O Cavaleiro Didi e A Princesa Lili. E ambos são nacionais.
NOTA: 0,0

















Casseta e Planeta versão estendida. Passarei longe rs
Abs.
JOÃO, e querem voltar para a grade ainda este ano. Sorte que eu quase não vejo Globo. Abraços.
Não ouso a ver este filme. O motivo está ai. hehe’
Abraço!
ALYSON, difícil eu avaliar um filme com zero, viu? Prefiro dar 0,5 por conta do esforço da equipe.
Mas este aqui foi difícil suportar. Abraço!