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Comentando os Vencedores do 85º Oscar (2013)

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Quando os indicados ao Oscar foram anunciados, em 10 de janeiro, muito se especulou. Parecíamos estar diante de uma das festas mais imprevisíveis dos últimos anos. E estávamos. Mas ontem, 24 de janeiro, um dos prêmios mais aguardados da História recente do Oscar foi entregue, e tudo terminou de maneira previsível. Sem grandes surpresas, o polêmico esquecimento de Ben Affleck na categoria de melhor direção provou ter sido ou erro de cálculo (antecipação da leitura dos nomeados, sem tempo hábil para copiar os prêmios) ou simplesmente implicância com um profissional que se resdescobriu em Hollywood. Fato é que desde o tapete vermelho, o público estava bastante apreensivo. Teve de  acompanhar as atrizes primeiro, desfilando seus vestidos alugados, em pré-shows intermináveis e rigorosamente iguais. Depois, quando Seth McFarlane finalmente assumiu o palco e a cerimônia teve início, as primeiras expectativas foram postas à prova. McFarlane conquistou Hollywood com seu filme irreverente, Ted, mas não correspondeu. Manteve um nível bastante aceitável – cantando e dançando com inesperada correção – porém não empolgou de verdade. Em momento algum.

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As primeiras estatuetas foram entregues somente após um longo prólogo musical (este ano a festa homenageou o gênero, pecando na escolha arbitrária dos títulos), onde Charlize Theron e Channing Tatum envolveram o público com um dueto sensacional de dança, seguidos por Daniel Radcliffe e Joseph Gordon-Levitt, mais comedidos e acompanhando Seth McFarlane. Este espaço excessivo para os números musicais (que contou com a reprodução muito fiel de ”All That Jazz”, estrelado por Catherine Zeta-Jones em Chicago, além da reunião paulatina do elenco de Os Miseráveis, que interpretou lindamente músicas como “Suddenly” e “One Day More”) deu muito dinamismo ao Oscar. Incompreensível imaginar que já houveram cerimônias sem nenhum número musical. Foi uma excelente ideia, que precisa ser repetida em próximas edições. Mais música. Erraram feio somente quando ignoraram duas das cinco canções indicadas ao Oscar (“Before My Time” e “Pi’s Lullaby” não foram interpretadas ao vivo). Cristoph Waltz venceu o prêmio de melhor ator coadjuvante, sem merecer a indicação (Leonardo Dicaprio e Samuel L. Jackson estavam claramente superiores em Django Livre) e protagonizou um dos prêmios mais aborrecidos da noite. Em seguida, acompanhamos as vitórias merecidíssimas de As Aventuras de Pi em fotografia (lindo trabalho de Claudio Miranda) e efeitos visuais (com a criação de um universo fantástico, também ornado pela beleza realística do tigre Richard Parker). Valente, o filme mais superestimado da Pixar, arrebatou o prêmio de melhor animação (depois de Detona Ralph! faturar o Annie Awards) e o curta de animação Paperman, dos estúdios Disney, recebeu todo o reconhecimento que merecia.

Daniel Day-Lewis, Jennifer Lawrence, Anne Hathaway, Christoph Waltz

A primeira surpresa (das pouquíssimas) foi o empate entre A Hora Mais Escura e 007 – Operação Skyfall em edição de som. Aliás, o filme de Bigelow recebeu apenas esta estatueta, sendo que o último filme de James Bond também conquistou o prêmio de melhor canção original (Adele teve um número musical bonito, mas pouco envolvente e se emocionou com a vitória de “Skyfall”). Os Miseráveis foi vencedor na categoria mixagem de som (muitas vezes um contrassenso premiar filmes diferentes nas categorias de som) e também tirou o favoritismo de O Hobbit – Uma Jornada Inesperada com a láurea de melhor cabelo e maquiagem. Lincoln surpreendeu Anna Karenina e foi eleita a melhor direção de arte de 2012 (num belíssimo trabalho, diga-se de passagem), e o filme de Joe Wright contentou-se com o prêmio de figurino (vitória comum em películas dirigidas pelo britânico). As Aventuras de Pi voltou à cena com Mychael Danna e sua trilha sonora inspiradíssima. O vencedor da Palma de Ouro em Cannes, Amor, que conquistara importantíssimas indicações ao Oscar, saiu de Los Angeles com a estatueta de melhor filme estrangeiro. Como atriz coadjuvante, Anne Hathaway. Favorita desde o início, a atriz merecia muito esta vitória e entregou um discurso sincero, de tom muito doce e encantador.

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As categorias mais importantes chegaram e Argo, até então apagado, tomou fôlego. William Goldenberg recebeu o prêmio de melhor montagem e logo depois Chris Terrio foi apontado como o vencedor da categoria roteiro adpatado. Foram dois prêmios imprescindíveis para dar algum sentido à láurea suprema que Argo receberia mais tarde, como melhor filme de 2012. Django Livre teve seu roteiro original ovacionado com mais uma estatueta dourada para Quentin Tarantino – e acabou obtendo um bom aproveitamento frente às cinco indicações que recebeu. Quem não sorriu tanto foi a equipe de Lincoln. Dono de 12 indicações e apontado no início do mês passado como o favorito ao prêmio máximo, só viu mesmo, após a vitória da direção de arte, Daniel Day-Lewis subir ao palco. Mas valeu a noite. Meryl Streep sequer abriu o envelope. Fez o ator se emocionar, lhe retribui longo abraço, e sorriu de suas piadas, muito divertidas. Coisas de Daniel Day-Lewis. Chorar e fazer rir ao mesmo tempo, e alcançar um feito único: três Oscar como melhor ator. Sem dúvida ver os dois melhores atores em atividade, juntos, foi o melhor momento da noite.

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Jennifer Lawrence foi uma surpresa. Ou talvez não. Vencedora do SAG, a moça fez Jessica Chastain ser retardatária muito antes do dia de ontem. Esperava por uma vitória de Emmanuelle Riva, a ilustre desconhecida de Hollywood, famosa por Hirsohima, Meu Amor e dona de uma atuação magistral em Amor. Jennifer está muito bem em O Lado Bom da Vida, mas não era a melhor atriz da noite. Resultado? Com 22 anos ela tem um Oscar, um tombo desconcertante e o discurso mais anticlimático dos últimos anos (mal se recompôs da queda e já agarrou o microfone, envergonhada, partindo logo depois). Surpresa de verdade foi a vitória de Ang Lee sobre Steven Spielberg, merecidíssima por sinal. Lee trabalhou duro para transformar As Aventuras de Pi na obra de arte que é, e tem mais um homenzinho dourado na estante, ao lado daquele que arrebatou pela ótima direção de O Segredo de Brokeback Mountain. Ben Affleck acabou subindo no palco, mesmo esnobado na categoria de melhor direção – era um dos produtores de Argo. Viu sua obra ganhar o prêmio por mérito, porque de fato Argo é um grande filme. Pena que o Oscar fez tanto barulho com seu esquecimento, sugerindo tomar rumo diferente de todos os prêmios predecessores, mas terminou pulverizando as estatuetas ao invés de consagrar Lincoln ou ainda mais logicamente, As Aventuras de Pi. Ver Affleck fora dos melhores diretores de 2012 mais pareceu um erro de cálculo do que qualquer outra coisa. E o Oscar, mesmo quando dá sinais de que vai surpreender, não sai da zona de conforto. Até 2014.

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Apostas Para o Oscar 2013

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FILME | Argo, de Ben Affleck
DIREÇÃO| Steven Spielberg, por Lincoln
ATOR | Daniel Day-Lewis, por Lincoln
ATRIZ | Emanuelle Riva, por Amor
ROTEIRO ORIGINAL | Django Livre, por Quentin Tarantino
ROTEIRO ADAPTADO | Argo, por Chris Terrio
ATOR COADJUVANTE | Christoph Waltz, por Django Livre 
ATRIZ COADJUVANTE | Anne Hathaway, por Os Miseráveis 
FILME DE ANIMAÇÃO | Valente, de M. Adrews, B. Chapman e S. Purcell 
FOTOGRAFIA | 007 – Operação Skyfall, por Roger Deakins
DIREÇÃO DE ARTE| Os Miseráveis, por Eve Stewart e Anna Lynch-Robinson
FIGURINO | Anna Karenina, por Jacquelinne Durran
TRILHA SONORA | As Aventuras de Pi, por Mychael Danna
DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM | Kings Point, de Sari Gilman
DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM | The Gatekeepers, de Dror Moreh e Phillypa Kowarski
MONTAGEM | Argo, por William Goldenberg 
MAQUIAGEM/CABELO | O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA | Amor, de Michael Haneke (Áustria) 
SOM | 007 – Operação Skyfall
MIXAGEM DE SOM| Os Miseráveis 
CANÇÃO ORIGINAL | “Skyfall”, de 007 – Operação Skyfall (Adele)
EFEITOS VISUAIS | As Aventuras de Pi
CURTA-METRAGEM | Asad, de Bryan Buckley
CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO | The Paperman, de John Kahrs

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Comentando os Indicados ao Oscar 2013

85th Academy Awards Nominations Announcement

Diversos aspectos fizeram deste 10 de janeiro uma data histórica para o Oscar – e as indicações ao prêmio representaram isso. Em muitos anos (pessoalmente não me recordo de nenhum outro que tenha me surpreendido tanto), não se via uma lista de nomeados tão diversificada e inovadora – ainda que contraditória. Coincidência ou não, 2013 é o ano em que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (A.M.P.A.S.) resolveu modificar o sistema de votação (agora o envio de votos pelo correio foi substituído por preenchimento de um formulário online, situação que embaraçou e confundiu diversos dos membros, com idade média próxima aos 60 anos).  Observar uma lista de nomeados sensivelmente diferente dos prêmios que antecedem o Oscar (WGA, PGA, DGA, Bafta e Globo de Ouro) realmente alimenta a polêmica de que o sistema foi falho – e a ideia de anteceder o fechamento dos indicados (de meados de janeiro para o início, o que impediu que os membros “copiassem” as nomeações alheias) foi tão arriscada quanto empolgante. Fato é que os estúdios não gostaram nada do resultado (especialmente os produtores de Argo e A Hora Mais Escura) e em Hollywood o assunto é apenas um: como o Oscar conseguiu destruir tanta expectativa sobre dois filmes até então favoritos para a temporada?

Seth McFarlane (diretor de Ted, e dono da voz que animou o urso de pelúcia) foi uma escolha interessante para o anúncio, substituindo o sempre sisudo e frequentemente gélido diretor da Academia, e junto à linda Emma Stone, proporcionou alguns bons momentos. Houve um excesso de piadas por parte de McFarlane, o que era de se esperar (uma delas sobre Alemanha, Áustria e Hitler gerou risos nervosos), mas em termos gerais ambos foram muito simpáticos e bem sucedidos. Também ajudou muito a nova composição do cenário – tanto o telão como o palco aumentaram, o que deu dinamicidade a todo o processo. Partamos então para a análise das principais categorias.

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1) MELHOR FILME: A Academia apontou apenas 9 filmes para disputar a vaga, e poderia ter optado pelos dez habituais, garantindo uma vaga honorária para Moonrise Kingdom (o melhor filme de Wes Anderson). Surpreendeu ver Amour, de Michael Haneke, entre os selecionados – é apenas a quinta vez que um filme estrangeiro alcança o direito de disputar o Oscar de melhor filme. Indomável Sonhadora é o indie do ano, uma fábula infantil que foi bem recebida pela crítica em Sundance e Cannes e que desde já promete ser uma das películas mais empolgantes da disputa (pena que só estreie no Brasil no fim de fevereiro, pouco antes da Cerimônia). Argo, Django Livre, Os Miseráveis, e A Hora Mais Escura não surpreenderam pela lembrança, pois eram mais que favoritos na categoria (contudo tiveram seus diretores esnobados). Lincoln, As Aventuras de Pi, e O Lado Bom da Vida completam a lista – sendo que o primeiro chega com 12 indicações e favoritismo absoluto.

2) MELHOR DIREÇÃO: Ben Affleck, Kathryn Bigelow e Tom Hooper esquecidos. O que aconteceu com o Oscar? Os três eram nomes dados como certos – foram indicados pelo DGA e os dois últimos vinham de vitórias por Guerra ao Terror e O Discurso do Rei. Um verdadeiro contrassenso, já que seus filmes A Hora Mais Escura (Bigelow) e Os Miseráveis (Hooper) arrebataram um número expressivo de indicações. Sorte é que o esquecimento de alguns abriu espaço para outros. David O. Russel (que prova ser um ótimo diretor de atores, já que todo o elenco de O Lado Bom da Vida recebeu nomeações), Benh Zeitlin (um jovem de 30 anos que surpreendeu por Indomável Sonhadora) e o já lendário Michael Haneke (Amour) juntaram-se a Ang Lee (As Aventuras de Pi) e Steven Spielberg (que provou, com Lincoln, que seu talento deve ser sempre respeitado). Se por um lado foi revoltante ver Ben Affleck limado da competição (um diretor fantástico, que já tem dois ótimos filmes na carreira, além do também ótimo e ex-favorito Argo), foi recompensador ver Kathryn Bigelow fora (uma diretora superestimada e acomodada que tirou o Oscar de James Cameron e Quentin Tarantino em 2010). Ela venceu muito recentemente, e se o Oscar achou justo esquecer de Tom Hooper (que se arrisca muito mais em Os Miseráveis que em Discurso do Rei) e Paul Thomas Anderson (sempre marcante, agora por O Mestre), também é justo tirá-la do jogo.

3) MELHOR ATOR: A surpresa ficou pelo esquecimento de John Hawkes (que depois da nomeação injusta por Inverno da Alma finalmente parecia dono de uma performance digna de barulho em As Sessões, filme em que interpreta um deficiente físico prostrado). Joaquin Phoenix provou que o elenco de O Mestre resistiu ao caminho de altos e baixos do filme (e nem sua insistência em menosprezar as premiações em entrevistas tirou-lhe a indicação). Bradley Cooper (um ator ruim que parece ter se encontrado num papel excelente), Hugh Jackman (o Jean Valjean de Os Miseráveis em sua primeira nomeação), Denzel Washingron (que ao meu ver tirou a vaga de Hawkes) também foram lembrados. Daniel Day-Lewis é favorito, recebe sua quinta indicação ao Oscar (deveriam ser mais, pois ele também está perfeito em O Lutador e A Época da Inocência) e completa a lista.

4) MELHOR ATRIZ: Quvenzhané Wallis (Indomável Sonhadora) deixou o mundo boquiaberto ao se transformar na mais jovem atriz a ser indicada ao prêmio. Da mesma forma, a lendária Emmanuelle Riva (famosa por Hiroshima Meu Amor e concorrendo por Amour, de Michael Haneke), espantou por ser a mais velha atriz já indicada na categoria. Dois polos tão extremos que só reforçam a qualidade desta categoria, de longe a mais interessante da lista. Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida) e Jessica Chastain (A Hora Mais Escura) despontam como favoritas, mas ainda fica uma dúvida: seriam capazes de receber um prêmio tão importante já nos primeiros anos de suas carreiras? Ambas são praticamente novatas em Hollywood. A lógica então, seria premiar Naomi Watts (O Impossível), que possui um caminho bastante sólido. Mas está aberto. Riva também tem ótimas chances, dada sua importância para o cinema mundial. Marion Cotillard é a grande ausência, seu desempenho comentadíssimo em Ferrugem e Osso foi simplesmente esnobado.

5) ATOR COADJUVANTE: Emma Stone até se cansou por ter de informar que todos os indicados desta categoria já haviam faturado um Oscar. Fato é que o sempre bom Phillip Seymour Hoffman (O Mestre) está na lista – havia a possibilidade do filme de Paul Thomas Anderson ser esquecido até pelas performances de seu elenco, mas isso não aconteceu. Tommy Lee Jones (Lincoln) talvez desponte como favorito, e Christoph Waltz (Django Livre) parece ter tomado a vaga que naturalmente seria de Leonardo Dicaprio, seu parceiro em cena (e um dos atores mais subestimados pelo Oscar). Robert DeNiro (fala-se que sua atuação em O Lado Bom da Vida é a melhor em 10 ou mais anos) e Alan Arkin (Argo) fecham este quesito, que tem tudo para ser o mais aborrecido. Explico: nenhuma das atuações parece empolgar suficientemente. Estamos mal acostumados, é verdade; nos últimos anos surgiram atores coadjuvantes fabulosos. Certamente Javier Bardem poderia encontrar um espaço aqui, talvez assim a lista ficasse mais atrativa (seu desempenho em 007 – Operação Skyfall não é menos que marcante).

6) ATRIZ COADJUVANTE: Sally Field (Lincoln) está de volta ao circuito. Gosto muito de sua nomeação, pois a maioria dos jovens cinéfilos só a conhece como “a tia do Peter Parker”, o que é um ultraje para a grande atriz oscarizada por Norma Rae. Mas um terceiro Oscar (levou também por Um Lugar no Coração, embora Judy Davis merecesse mais em Passagem Para a Índia) seria improvável. Anne Hathaway é a grande favorita, a moça se despiu de beleza e soltou a voz (lindamente) em Os Miseráveis e deve faturar a honraria. Temos ainda Helen Hunt (em As Sessões), Amy Adams (quarta indicação como coadjuvante, quando essa linda e talentosa atriz irá ganhar o que merece?) e Jacki Weaver (a atriz que conheci como uma empregada  em Piqueninque na Montanha Misteriosa e ganhou o mundo após sua indicação por Reino Animal, em 2011). Com Jacki indicada, o elenco de O Lado Bom da Vida alcança o que pouquíssimos filmes conseguiram: ter todos seus principais atores nomeados. Tente se recordar da última vez que isso aconteceu. Uma Rua Chamada Pecado (1951), Quem Tem Medo de Virginia Woolf (1966) e Reds (1982) foram os felizardos. Mais que felizardos! E os dois primeiros são clássicos absolutos!

OUTRAS SURPRESAS

- Intocáveis, o grande sucesso de bilheteria da França está fora da disputa como Melhor Filme Estrangeiro. Particularmente, gosto do filme, mas não acho que tenha substância suficiente para alçá-lo entre os melhores, há grandes atuações (e só).  Kon Tiki (Noruega), O Amante da Rainha (Dinamarca), No (do nosso vizinho Chile), War Witch (Canadá outra vez) e o favoritíssimo Amour (Áustria), que sai com 5 importantes menções, foram os selecionados.

- Será que A Origem dos Guardiões não era melhor que Piratas Pirados ou Valente? Mas ver ParaNorman, e especialmente Frankenweenie, entre as melhores animações do ano foi um prazer enorme. O curta O Avião de Papel, que precede Detona Ralph nas cópias brasileiras do filme, foi lembrado – e Ralph também.

- Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge foi excessivamente esnobado (indicar Argo em edição de som e Branca de Neve e o Caçador em efeitos visuais e esquecê-lo não pegou nada bem).

- Tom Holland (O Impossível) foi esquecido! A cota para crianças/adolescentes foi toda preenchida com Quvenzhané Wallis? Será que o estúdio resolveu fazer campanha pro garoto como melhor ator – obedecendo à lógica e abrindo mão da ”adaptação” que a Paramount fez para que Hailee Steinfeld fosse indicada por Bravura Indômita em 2011? Fato é que haviam outros tantos jovens atores que poderiam ser lembrados (não vou fazer campanha para As Vantagens de Ser Invisível nestas categorias, mas pelo menos poderiam ter seguido a recomendação do WGA e indicado o roteiro de Stephen Chbosky como uma das melhores adaptações do ano).

A festa do Oscar 2013 acontece dia 24 de fevereiro. Há mais de um mês para que reviravoltas aconteçam – esperemos pela entrega dos próximos prêmios, que antecedem o Oscar, e quem sabe, mais surpresas (boas ou ruins), surjam.

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