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	<title>O BRADO RETUMBANTE!</title>
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	<description>Uma tessitura de ideias, argumentos, fatos e relatos</description>
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		<title>A Profecia (1976)</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Mar 2013 18:53:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Weiner</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Histórias sobre possessão demoníaca já estavam em voga quando alguns filmes verdadeiramente seminais surgiram, trazendo agora uma visão onipresente do mesmo mal. Absoluto dentro do gênero, O Bebê de Rosemary foi o mais famoso a abordar a vinda do Anticristo, &#8230; <a href="http://obradoretumbante.wordpress.com/2013/03/15/a-profecia-1976/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=obradoretumbante.wordpress.com&#038;blog=15909296&#038;post=4841&#038;subd=obradoretumbante&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/03/a-profecia-the-omen-1976.jpg"><img class="alignleft  wp-image-4845" alt="a-profecia-the-omen-1976" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/03/a-profecia-the-omen-1976.jpg?w=240&#038;h=370" width="240" height="370" /></a>Histórias sobre possessão demoníaca já estavam em voga quando alguns filmes verdadeiramente seminais surgiram, trazendo agora uma visão onipresente do mesmo mal. Absoluto dentro do gênero, O Bebê de Rosemary foi o mais famoso a abordar a vinda do Anticristo, por meio da consumação sexual entre uma jovem americana e o próprio diabo, num ritual aterrorizante. Mas nenhum outro tratou o assunto com tanto entusiasmo e detalhismo quanto A Profecia, clássico da década de 1970 dirigido por Richard Donner. Sem a sofisticação técnica, mas com o roteiro igualmente bem estruturado do filme de Roman Polanski, <a href="http://www.imdb.com/title/tt0075005/">A Profecia</a> manteve-se como um exemplar diferenciado exatamente por abrir mão de recursos manjados, típicos de filmes de baixo orçamento, e apostar na força da sugestão. E sugerir que um garotinho de traços harmoniosos, pele macia e bochechas rosadas seja a encarnação do diabo é simplesmente destruir qualquer chance de arrancar sustos gratuitos &#8211; algo a se cogitar seriamente, quando produtores almejam sucesso de bilheteria. Dotado de um orçamento irrisório, especialmente para os padrões atuais, A Profecia foi negado por diversos estúdios, até ser aceito pela Fox, que desembolsou cerca de 2,5 milhões de dólares com os custos de produção e quase 6 milhões com a divulgação. Era uma aposta arriscada mas certeira, e desde o início Alan Ladd Jr., representante do estúdio, não tinha nenhuma dúvida do sucesso.</p>
<p style="text-align:justify;">O filme começa com uma visão bastante sentimental sobre a família &#8211; a esposa (Lee Remick) de um importante embaixador inglês (Gregory Peck) está prestes a dar a luz em Roma. Infelizmente a criança morre, e com medo da reação da mulher, o embaixador decide adotar um bebê que acabara de ficar órfão no mesmo hospital, de mãe morta no parto. Coincidências existem, mas não se aplicam ao fato; mais tarde saberemos que o trâmite faz parte de um complô liderado por padres romanos, que tencionam dar ao Anticristo uma família de projeção política, para que já cresça ascendendo socialmente. O embaixador e a mulher recebem a criança com carinho e nos primeiros anos a sensação é de paz e completude, reforçada por uma bela faixa da trilha sonora de Jerry Goldsmith. Contudo, assim que completa cinco anos, o menino recebe uma festa de aniversário na mansão dos pais, e assiste impassivamente, junto a uma multidão tomada pelo pânico, ao suicídio de sua babá, por enforcamento. A câmera de Richard Donner pára por um segundo na expressão horripilante de um palhaço (com maquiagem escura) e depois nos olhos de um cão Rottweiler preto, para determinar que a partir dali o tom de A Profecia será outro.</p>
<p style="text-align:justify;">A mãe é a primeira a ser atingida pelo comportamento sutil, mas nefasto, do garoto Damien. Lee Remick assume a obrigação de transformar um amor intenso num repentino estranhamento, logo após a sequência em que leva o filho ao zoológico e é atacada por um grupo de babuínos enfurecidos com a presença do menino. Retornando à casa, ainda precisa lidar com a nova babá (Billie Withelaw), tão enigmática e soturna, que exala terror. Atormentada pela dúvida sobre as tendências malignas do filho (que começa a irritá-la e causar repulsa), enfrenta o descrédito do pai; Gregory Peck continua demonstrando muita afeição pela jovem criatura e só começa a notar algo diferente quando é abordado por um padre ciente do segredo de Damien. Uma série de mortes e de coincidências mórbidas o leva, então, de volta à Itália, para investigar as origens do filho &#8211; episódio que culmina numa sequência avassaladora num cemitério etrusco e brilhantemente montado pela direção de arte, capaz de produzir calafrios. Todo o elenco encontra uma forma crível de lidar com os fatos, de modo que suas composições pareçam bastante aceitáveis (sendo algumas, em especial a do garotinho Harvey Stephens, dignas de sinceros aplausos).</p>
<p style="text-align:justify;">Mas é mesmo na estruturação narrativa que A Profecia escancara seu maior trunfo, e ratifica sua capacidade de estabelecer o medo. Não há cenas grotescas ou sustos programados, só uma atmosfera crescente de tensão e incômodo que vai sendo alicerçada pelo desenrolar do excelente roteiro de Bob Munger, que teria até profetizado algumas &#8220;maldições&#8221; que ocorreriam nos bastidores (detalhes que geraram um breve e curioso documentário). Outro grande aspecto do filme é a magnífica trilha sonora de Jerry Goldsmith, responsável por grande parte do horror entremeado à película; com o auxílio de um coral essencialmente masculino, ele ecoa o canto gregoriano (muito comum em rituais sacros) para exaltar o profano. O grupo, de voz gutural, até altera a ordem de alguns cânticos católicos, para sugerir a lenda de que músicas ao avesso revelam mensagens subliminares, e performa passagens simplesmente arrepiantes, como a faixa de abertura Ave Satani.  Um trabalho inesquecível que rendeu o único Oscar deste filme subestimado pela crítica de sua época, mas justamente transformado num clássico do horror.</p>
<p style="text-align:right;"><strong>NOTA: 9</strong><strong>,0  </strong><em><img title="yellow_star" alt="" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2010/09/yellow_star.png?w=22&#038;h=22&#038;h=22" width="22" height="22" /> <img title="yellow_star" alt="" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2010/09/yellow_star.png?w=22&#038;h=22&#038;h=22" width="22" height="22" /> <img title="yellow_star" alt="" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2010/09/yellow_star.png?w=22&#038;h=22&#038;h=22" width="22" height="22" /> <img title="yellow_star" alt="" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2010/09/yellow_star.png?w=22&#038;h=22&#038;h=22" width="22" height="22" /> <img title="yellow_star" alt="" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2010/09/yellow_star.png?w=22&#038;h=22&#038;h=22" width="22" height="22" /></em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/obradoretumbante.wordpress.com/4841/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/obradoretumbante.wordpress.com/4841/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=obradoretumbante.wordpress.com&#038;blog=15909296&#038;post=4841&#038;subd=obradoretumbante&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Hitchcock (2012)</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Mar 2013 17:32:54 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Alfred Hitchcock foi um dos cineastas mais complexos da sétima arte, e esta afirmativa pode ser corroborada especialmente por dois aspectos: a carreira propriamente dita e seu comportamento nos sets de filmagem. Considerado apenas um bom diretor comercial no início &#8230; <a href="http://obradoretumbante.wordpress.com/2013/03/13/hitchcock/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=obradoretumbante.wordpress.com&#038;blog=15909296&#038;post=4832&#038;subd=obradoretumbante&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/03/hitch.jpg"><img class="alignleft  wp-image-4833" alt="hitch" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/03/hitch.jpg?w=240&#038;h=370" width="240" height="370" /></a>Alfred Hitchcock foi um dos cineastas mais complexos da sétima arte, e esta afirmativa pode ser corroborada especialmente por dois aspectos: a carreira propriamente dita e seu comportamento nos <i>sets</i> de filmagem. Considerado apenas um bom diretor comercial no início de sua fase americana, Hitchcock acabou sendo transformado numa espécie de diretor mítico logo após a inesperada adoração da crítica francesa, também especializada em cinema. Diversos anos depois, ainda retumba como um profissional que conseguiu imprimir um estilo único sem necessariamente ignorar o imenso público pagante – o que o elevou a um patamar frequentemente ambicionado pelos colegas de profissão. Já sua obsessão por figuras femininas loiras, magras e de penteados impecáveis revelou o lado quase sádico de um diretor que costumava torturar as atrizes contratadas, em busca de uma perfeição que só ele compreendia.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim começou seu encanto por Grace Kelly, a preferida entre as atrizes com este biótipo. Após ser sumariamente abandonado por Grace (que se despediu da parceria de modo arbitrário, casando com o príncipe de Mônaco e deixando a carreira), Hitchcock perdeu sua mais famigerada companhia nas gravações e começou uma busca insana por outra que pudesse preencher imenso vazio. Já ignorado por atrizes do calibre de Ingrid Bergman e Audrey Hepburn (que recusou-lhe um convite considerado irrecusável pelo próprio), ele teve de se contentar com estrelas de menor porte, como Eva Marie-Saint, Janet Leigh e mais tarde, a torturada Tippi Heddren. <a href="http://www.imdb.com/title/tt0975645/">Hitchcock</a>, o filme que leva o nome do cineasta, dirigido pelo britânico Sacha Gervasi, se lança na tentativa de abordar estes dois lados do gênio, justamente no período em que se preparava para dirigir Psicose.</p>
<p style="text-align:justify;">Baseado num livro biográfico de Stephen Rebello, “Alfred Hitchcock And The Making Of Psycho” o longa ganha muitos pontos ao retratar um momento curioso na vida de Alfred, logo após o sucesso estrondoso de Intriga Internacional. Desafiando a si mesmo e já desiludido pela dificuldade em encontrar loiras perfeitas, ele se aventurou numa seara arriscada e até então inovadora em sua filmografia: o terror. Psicose é um dos primeiros filmes em que não se percebe tão facilmente sua ironia e humor característicos, sendo voltado para um estudo de personagem tão intenso e mais tétrico que aquele da obra-prima Um Corpo que Cai. Nos <i>sets</i>, o diretor (interpretado por Anthony Hopkins) encontrou sérios problemas, vindos especialmente da negativa dos estúdios em financiar o projeto. É um momento que mostra o quão indomável Hitchcock era, assumindo riscos e financiando do próprio bolso aquilo que parecia um engano sem proporções. Um bom diretor comercial, sim, mas também um homem que preferiu a arte ao comodismo.</p>
<p style="text-align:justify;">O filme aborda este e outros problemas, como a conturbada relação que criara com Vera Miles, a irmã da protagonista (atriz que estava sendo preparada para substituir o posto de Grace, engravidou e interrompeu a carreira, deixando o diretor furioso). Vivida por Jessica Biel, Vera é uma coadjuvante essencial na história, porque dá a noção exata de como Hitchcock era obcecado por suas atrizes e não admitia qualquer deslealdade. Muitos associam seu prazer mórbido em vê-las sendo esfaqueadas ou feridas por pássaros justamente porque sentira o peso da traição – frequentemente era preterido por outros projetos, fossem casamentos, gravidezes ou mesmo medo de destruir uma imagem bem construída (como foi o caso de Audrey, que preferiu não aceitar seu convite, levando-o a abortar um projeto).</p>
<p style="text-align:justify;">Esta faceta de Hitchcock está presente no filme, que dá espaço também à Alma Reville (Helen Mirren), sua esposa e companheira de longa data, acostumada com os desejos sexuais reprimidos pelas atrizes com as quais ele trabalhou. Alma, montadora experiente, foi homenageada pelo marido após o lançamento de Psicose, e por algumas vezes o diretor disse publicamente depender dela o sucesso de sua carreira. Fato é que a esposa assume bastante espaço numa narrativa que supostamente deveria abarcar as discrepâncias comportamentais e morais do gênio, e o roteiro abre espaço até mesmo para uma tentativa frustrada de traição por parte de Alma, provocada pelos termos desta obsessão. Se Helen Mirren está pouco convincente e não consegue transmitir os anseios particulares de uma mulher aparentemente formidável, tampouco chega ser ofuscada pela interpretação de Hopkins. O ator, escondido numa maquiagem interessante, mas que não lhe garante grandes semelhanças com Hitchcock, limita-se a reproduzir os trejeitos e eventualmente, a voz. O filme serve somente como documento (ainda que raso) dos bastidores de um dos melhores filmes já feitos por Hollywood.</p>
<p style="text-align:right;"><strong>NOTA: 5</strong><strong>,0  </strong><em><img title="yellow_star" alt="" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2010/09/yellow_star.png?w=22&#038;h=22&#038;h=22" width="22" height="22" /> <img title="yellow_star" alt="" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2010/09/yellow_star.png?w=22&#038;h=22&#038;h=22" width="22" height="22" />  </em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/obradoretumbante.wordpress.com/4832/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/obradoretumbante.wordpress.com/4832/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=obradoretumbante.wordpress.com&#038;blog=15909296&#038;post=4832&#038;subd=obradoretumbante&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Comentando os Vencedores do 85º Oscar (2013)</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Feb 2013 22:46:29 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Quando os indicados ao Oscar foram anunciados, em 10 de janeiro, muito se especulou. Parecíamos estar diante de uma das festas mais imprevisíveis dos últimos anos. E estávamos. Mas ontem, 24 de janeiro, um dos prêmios mais aguardados da História &#8230; <a href="http://obradoretumbante.wordpress.com/2013/02/25/comentando-os-vencedores-do-85o-oscar-2013/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=obradoretumbante.wordpress.com&#038;blog=15909296&#038;post=4823&#038;subd=obradoretumbante&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/02/danielmeryl.jpg"><img class="size-medium wp-image-4824 aligncenter" alt="danielmeryl" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/02/danielmeryl.jpg?w=300&#038;h=187" width="300" height="187" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Quando os indicados ao Oscar foram anunciados, em 10 de janeiro, muito se especulou. Parecíamos estar diante de uma das festas mais imprevisíveis dos últimos anos. E estávamos. Mas ontem, 24 de janeiro, um dos prêmios mais aguardados da História recente do Oscar foi entregue, e tudo terminou de maneira previsível. Sem grandes surpresas, o polêmico esquecimento de Ben Affleck na categoria de melhor direção provou ter sido ou erro de cálculo (antecipação da leitura dos nomeados, sem tempo hábil para copiar os prêmios) ou simplesmente implicância com um profissional que se resdescobriu em Hollywood. Fato é que desde o tapete vermelho, o público estava bastante apreensivo. Teve de  acompanhar as atrizes primeiro, desfilando seus vestidos alugados, em pré-shows intermináveis e rigorosamente iguais. Depois, quando Seth McFarlane finalmente assumiu o palco e a cerimônia teve início, as primeiras expectativas foram postas à prova. McFarlane conquistou Hollywood com seu filme irreverente, Ted, mas não correspondeu. Manteve um nível bastante aceitável &#8211; cantando e dançando com inesperada correção &#8211; porém não empolgou de verdade. Em momento algum.</p>
<p><a href="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/02/lesmiserbales.jpg"><img class="size-medium wp-image-4825 aligncenter" alt="lesmiserbales" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/02/lesmiserbales.jpg?w=300&#038;h=192" width="300" height="192" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">As primeiras estatuetas foram entregues somente após um longo prólogo musical (este ano a festa homenageou o gênero, pecando na escolha arbitrária dos títulos), onde Charlize Theron e Channing Tatum envolveram o público com um dueto sensacional de dança, seguidos por Daniel Radcliffe e Joseph Gordon-Levitt, mais comedidos e acompanhando Seth McFarlane. Este espaço excessivo para os números musicais (que contou com a reprodução muito fiel de &#8221;All That Jazz&#8221;, estrelado por Catherine Zeta-Jones em Chicago, além da reunião paulatina do elenco de Os Miseráveis, que interpretou lindamente músicas como &#8220;Suddenly&#8221; e &#8220;One Day More&#8221;) deu muito dinamismo ao Oscar. Incompreensível imaginar que já houveram cerimônias sem nenhum número musical. Foi uma excelente ideia, que precisa ser repetida em próximas edições. Mais música. Erraram feio somente quando ignoraram duas das cinco canções indicadas ao Oscar (&#8220;Before My Time&#8221; e &#8220;Pi&#8217;s Lullaby&#8221; não foram interpretadas ao vivo). Cristoph Waltz venceu o prêmio de melhor ator coadjuvante, sem merecer a indicação (Leonardo Dicaprio e Samuel L. Jackson estavam claramente superiores em Django Livre) e protagonizou um dos prêmios mais aborrecidos da noite. Em seguida, acompanhamos as vitórias merecidíssimas de As Aventuras de Pi em fotografia (lindo trabalho de Claudio Miranda) e efeitos visuais (com a criação de um universo fantástico, também ornado pela beleza realística do tigre Richard Parker). Valente, o filme mais superestimado da Pixar, arrebatou o prêmio de melhor animação (depois de Detona Ralph! faturar o Annie Awards) e o curta de animação Paperman, dos estúdios Disney, recebeu todo o reconhecimento que merecia.</p>
<p><a href="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/02/castoscar.jpg"><img class="size-medium wp-image-4826 aligncenter" alt="Daniel Day-Lewis, Jennifer Lawrence, Anne Hathaway, Christoph Waltz" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/02/castoscar.jpg?w=300&#038;h=187" width="300" height="187" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">A primeira surpresa (das pouquíssimas) foi o empate entre A Hora Mais Escura e 007 &#8211; Operação Skyfall em edição de som. Aliás, o filme de Bigelow recebeu apenas esta estatueta, sendo que o último filme de James Bond também conquistou o prêmio de melhor canção original (Adele teve um número musical bonito, mas pouco envolvente e se emocionou com a vitória de &#8220;Skyfall&#8221;). Os Miseráveis foi vencedor na categoria mixagem de som (muitas vezes um contrassenso premiar filmes diferentes nas categorias de som) e também tirou o favoritismo de O Hobbit &#8211; Uma Jornada Inesperada com a láurea de melhor cabelo e maquiagem. Lincoln surpreendeu Anna Karenina e foi eleita a melhor direção de arte de 2012 (num belíssimo trabalho, diga-se de passagem), e o filme de Joe Wright contentou-se com o prêmio de figurino (vitória comum em películas dirigidas pelo britânico). As Aventuras de Pi voltou à cena com Mychael Danna e sua trilha sonora inspiradíssima. O vencedor da Palma de Ouro em Cannes, Amor, que conquistara importantíssimas indicações ao Oscar, saiu de Los Angeles com a estatueta de melhor filme estrangeiro. Como atriz coadjuvante, Anne Hathaway. Favorita desde o início, a atriz merecia muito esta vitória e entregou um discurso sincero, de tom muito doce e encantador.</p>
<p><a href="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/02/anglee.jpg"><img class="size-medium wp-image-4827 aligncenter" alt="anglee" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/02/anglee.jpg?w=300&#038;h=192" width="300" height="192" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">As categorias mais importantes chegaram e Argo, até então apagado, tomou fôlego. William Goldenberg recebeu o prêmio de melhor montagem e logo depois Chris Terrio foi apontado como o vencedor da categoria roteiro adpatado. Foram dois prêmios imprescindíveis para dar algum sentido à láurea suprema que Argo receberia mais tarde, como melhor filme de 2012. Django Livre teve seu roteiro original ovacionado com mais uma estatueta dourada para Quentin Tarantino &#8211; e acabou obtendo um bom aproveitamento frente às cinco indicações que recebeu. Quem não sorriu tanto foi a equipe de Lincoln. Dono de 12 indicações e apontado no início do mês passado como o favorito ao prêmio máximo, só viu mesmo, após a vitória da direção de arte, Daniel Day-Lewis subir ao palco. Mas valeu a noite. Meryl Streep sequer abriu o envelope. Fez o ator se emocionar, lhe retribui longo abraço, e sorriu de suas piadas, muito divertidas. Coisas de Daniel Day-Lewis. Chorar e fazer rir ao mesmo tempo, e alcançar um feito único: três Oscar como melhor ator. Sem dúvida ver os dois melhores atores em atividade, juntos, foi o melhor momento da noite.</p>
<p><a href="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/02/argo.jpg"><img class="size-medium wp-image-4828 aligncenter" alt="argo" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/02/argo.jpg?w=300&#038;h=187" width="300" height="187" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Jennifer Lawrence foi uma surpresa. Ou talvez não. Vencedora do SAG, a moça fez Jessica Chastain ser retardatária muito antes do dia de ontem. Esperava por uma vitória de Emmanuelle Riva, a ilustre desconhecida de Hollywood, famosa por Hirsohima, Meu Amor e dona de uma atuação magistral em Amor. Jennifer está muito bem em O Lado Bom da Vida, mas não era a melhor atriz da noite. Resultado? Com 22 anos ela tem um Oscar, um tombo desconcertante e o discurso mais anticlimático dos últimos anos (mal se recompôs da queda e já agarrou o microfone, envergonhada, partindo logo depois). Surpresa de verdade foi a vitória de Ang Lee sobre Steven Spielberg, merecidíssima por sinal. Lee trabalhou duro para transformar As Aventuras de Pi na obra de arte que é, e tem mais um homenzinho dourado na estante, ao lado daquele que arrebatou pela ótima direção de O Segredo de Brokeback Mountain. Ben Affleck acabou subindo no palco, mesmo esnobado na categoria de melhor direção &#8211; era um dos produtores de Argo. Viu sua obra ganhar o prêmio por mérito, porque de fato Argo é um grande filme. Pena que o Oscar fez tanto barulho com seu esquecimento, sugerindo tomar rumo diferente de todos os prêmios predecessores, mas terminou pulverizando as estatuetas ao invés de consagrar Lincoln ou ainda mais logicamente, As Aventuras de Pi. Ver Affleck fora dos melhores diretores de 2012 mais pareceu um erro de cálculo do que qualquer outra coisa. E o Oscar, mesmo quando dá sinais de que vai surpreender, não sai da zona de conforto. Até 2014.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/obradoretumbante.wordpress.com/4823/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/obradoretumbante.wordpress.com/4823/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=obradoretumbante.wordpress.com&#038;blog=15909296&#038;post=4823&#038;subd=obradoretumbante&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Apostas Para o Oscar 2013</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Feb 2013 16:51:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Weiner</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>

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		<description><![CDATA[FILME &#124; Argo, de Ben Affleck DIREÇÃO&#124; Steven Spielberg, por Lincoln ATOR &#124; Daniel Day-Lewis, por Lincoln ATRIZ &#124; Emanuelle Riva, por Amor ROTEIRO ORIGINAL &#124; Django Livre, por Quentin Tarantino ROTEIRO ADAPTADO &#124; Argo, por Chris Terrio ATOR COADJUVANTE &#124; Christoph Waltz, por Django Livre  ATRIZ COADJUVANTE &#124; Anne Hathaway, por Os Miseráveis  FILME DE ANIMAÇÃO &#124; Valente, de M. Adrews, B. Chapman e S. Purcell  &#8230; <a href="http://obradoretumbante.wordpress.com/2013/02/24/apostas-para-o-oscar-2013/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=obradoretumbante.wordpress.com&#038;blog=15909296&#038;post=4817&#038;subd=obradoretumbante&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/02/oscars_class_photo_2013_a_h.jpg"><img class="wp-image-4818 aligncenter" alt="oscars_class_photo_2013_a_h" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/02/oscars_class_photo_2013_a_h.jpg?w=450&#038;h=253" width="450" height="253" /></a></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#000080;">FILME</span><em> </em><em>| Argo</em><em>, de Ben Affleck</em><br />
<span style="color:#000080;">DIREÇÃO</span><em>| Steven Spielberg</em><em>, por Lincoln</em><br />
<span style="color:#000080;">ATOR<em> </em></span><em>| Daniel Day-Lewis</em><em>, por Lincoln</em><br />
<span style="color:#000080;">ATRIZ</span><em> </em><em>| Emanuelle Riva</em><em>, por Amor</em><br />
<span style="color:#000080;">ROTEIRO ORIGINAL</span><em> </em><em>| Django Livre</em><em>, por Quentin Tarantino</em><br />
<span style="color:#000080;">ROTEIRO ADAPTADO</span><em> </em><em>| Argo</em><em>, por Chris Terrio</em><br />
<span style="color:#000080;">ATOR COADJUVANTE</span><em> | Christoph Waltz</em><em>, por Django Livre</em><em> </em><em><br />
</em><span style="color:#000080;">ATRIZ COADJUVANTE</span><em><span style="color:#000080;"> </span>| Anne Hathaway</em><em>, por Os Miseráveis</em><em> </em><em><br />
</em><span style="color:#000080;">FILME DE ANIMAÇÃO<em> </em></span><em>| Valente</em><em>, de M. Adrews, B. Chapman e S. Purcell</em><em> </em><em><br />
</em><span style="color:#000080;">FOTOGRAFIA</span><em> </em><em>| 007 &#8211; Operação Skyfall</em><em>, por Roger Deakins</em><br />
<span style="color:#000080;">DIREÇÃO DE ARTE</span><em>| Os Miseráveis</em><em>, por Eve Stewart e Anna Lynch-Robinson</em><br />
<span style="color:#000080;">FIGURINO</span><em> </em><em>| Anna Karenina</em><em>, por Jacquelinne Durran</em><br />
<span style="color:#000080;">TRILHA SONORA<em> </em></span><em>| As Aventuras de Pi</em><em>, por Mychael Danna</em><br />
<span style="color:#000080;">DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM<em> </em></span><em>| Kings Point, </em><em>de Sari Gilman</em><em><br />
</em><span style="color:#000080;">DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM<em> </em></span><em>| The Gatekeepers</em><em>, de Dror Moreh e Phillypa Kowarski</em><em><br />
</em><span style="color:#000080;">MONTAGEM</span><em><span style="color:#000080;"> </span>| Argo, </em><em>por William Goldenberg</em><em> </em><em><br />
</em><span style="color:#000080;">MAQUIAGEM/CABELO</span><em><span style="color:#000080;"> </span>| O Hobbit: Uma Jornada Inesperada</em><em><br />
</em><span style="color:#000080;">FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA<em> </em></span><em>| Amor, de Michael Haneke</em><em> (Áustria)</em><em> </em><em><br />
</em><span style="color:#000080;">SOM</span><em> </em><em>| 007 &#8211; Operação Skyfall</em><br />
<span style="color:#000080;">MIXAGEM DE SOM</span><em>| Os Miseráveis</em><em> </em><br />
<span style="color:#000080;">CANÇÃO ORIGINAL </span><em>| “Skyfall”</em><em>, de 007 &#8211; Operação Skyfall (Adele)</em><br />
<span style="color:#000080;">EFEITOS VISUAIS </span><em>| As Aventuras de Pi</em><br />
<span style="color:#000080;">CURTA-METRAGEM<em> </em></span><em>| Asad, de Bryan Buckley</em><br />
<span style="color:#000080;">CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO<em> </em></span><em>| The Paperman, de John Kahrs</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/obradoretumbante.wordpress.com/4817/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/obradoretumbante.wordpress.com/4817/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=obradoretumbante.wordpress.com&#038;blog=15909296&#038;post=4817&#038;subd=obradoretumbante&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>A Hora Mais Escura (2012)</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Feb 2013 19:35:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Weiner</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 2005, a soldado americana Sabrina Harman foi condenada a cerca de 5 anos de prisão após chocar o mundo com acusações de intimidação e tortura na prisão de Abu Ghraib. Na época, diversas fotos em que a moça aparecia &#8230; <a href="http://obradoretumbante.wordpress.com/2013/02/22/a-hora-mais-escura-2012/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=obradoretumbante.wordpress.com&#038;blog=15909296&#038;post=4809&#038;subd=obradoretumbante&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/02/posterzerodarkthirty.jpg"><img class="alignleft  wp-image-4810" alt="posterzerodarkthirty" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2013/02/posterzerodarkthirty.jpg?w=240&#038;h=370" width="240" height="370" /></a>Em 2005, a soldado americana Sabrina Harman foi condenada a cerca de 5 anos de prisão após chocar o mundo com acusações de intimidação e tortura na prisão de Abu Ghraib. Na época, diversas fotos em que a moça aparecia em situações comprometedoras foram divulgadas, servindo de prova incontestável para a Corte Marcial responsável pelo caso. Entre tantas imagens fortes, algumas foram especialmente marcantes. Sabrina ameaçava eletrocutar prisioneiros, posava ao lado de cadáveres (mortos após horas de tortura), posicionava-se ao lado de uma torre humana repleta de homens encapuzados e nus. E sempre estava sorrindo ou erguendo o polegar direito. O escândalo atiçou a opinião pública e levou uma série de autoridades americanas (inclusive o então presidente Bush) a repudiar publicamente os atos explícitos de tortura. A jovem e diversos outros companheiros envolvidos no caso, foram julgados, condenados e quase dez anos depois chega aos cinemas o filme A Hora Mais Escura, dirigido pela americana Kathryn Bigelow. Escrito por Mark Boal, um profissional famoso por manter contato estrito com os altos escalões da Agência de Inteligência dos EUA, o filme suscitou polêmica tão forte como aquela levantada pelas atitudes de Sabrina Harman. Inicialmente favorito aos prêmios mais importantes do Oscar 2013, A Hora Mais Escura foi perdendo força quando recebeu repúdio do Senado Americano, em conjunto com a CIA, por abordar a tortura aos presos estrangeiros de maneira sugestivamente realística.</p>
<p style="text-align:justify;">Talvez muitos acreditem que Osama Bin Laden seja o único culpado pelos atentados às Torres Gêmeas, em setembro de 2001, evento que deixou mais de 3000 mortos e transformou o líder islâmico em inimigo público número 1 dos Estados Unidos. Certo é que a Agência de Inteligência Americana caçou o terrorista por dez anos, ininterruptamente, coletando todas as informações que pudessem levar à sua captura. Acreditava, com razão, que sua morte serviria de interrupção imediata para o crescimento das facções terroristas que já deixavam marcas por diversos locais do planeta (como os quatro atentados a bomba que atingiram o transporte público de Londres, também retratados em A Hora Mais Escura). Esta caça insana por Bin Laden é o mote do filme de Bigelow, estrelado pela agente Maya (Jessica Chastain), uma oficial da Inteligência Americana que coloca sua vida em função de duas coisas: reconhecimento profissional e a luta sutil pela igualdade de seu sexo perante os homens. Acompanhar a odisseia de Maya em busca do alvo é um convite irrecusável – o roteiro de Boal fundamenta sua obsessão e mesmo que a atuação de Jessica resvale entre o acreditável e o inverossímil, abusando da expressividade e carregando a composição, sua personagem é magnífica. E mais: após sermos bombardeados pela mídia (que acompanhou o caso 11 de setembro com interesse especial), deixar de se envolver com a trama é naturalmente impossível.</p>
<p style="text-align:justify;">O que acabou respingando no filme foi o excelente prólogo, onde um grupo de oficiais da Inteligência tortura um prisioneiro em busca de informações. Incômoda e totalmente repulsiva, a seqüência é magistralmente filmada com a firmeza habitual de Bigelow, e se corrobora da ideia de que existe a tortura no sistema americano, acaba pecando pelo excesso de verdade. Embora Maya assista às práticas com notável desencanto, o roteiro não dá espaço para uma reprovação tácita ou verbal. Sugere condescendência. E isto remonta ao caso de Sabrina Harman, que segundo os advogados, ingressou na prisão de Abu Ghrabi completamente enojada e impressionada com as atitudes dos colegas, aos quais considerava “monstros”. Fruto de um meio corrompido e sórdido, a moça que ilustra as imagens chocantes de tortura já demonstrava estar contaminada. Maya vai se acostumando àquelas práticas e a certa altura, nada mais interessa além da captura de Bin Laden. Ela já não lida com humanidade ou sentimento. Transformou-se num animal. Isto é extremamente lógico (embora lamentável) e Mark Boal está de parabéns por retratar o episódio com o máximo de realidade.</p>
<p style="text-align:justify;">A Hora Mais Escura teve suas filmagens iniciadas antes da morte de Osama Bin Laden, ocorrida em 2011, na gestão de Barack Obama. Isso forçou a equipe a rever seu propósito inicial e acrescer à narrativa a também polêmica cena da invasão à casa do terrorista, no Paquistão. Se por um lado esta mudança previu uma seqüência ligeiramente destoante (pois o roteiro transforma 10 anos em 150 minutos), por outro permitiu à Bigelow a oportunidade de recriar com muita competência o forte e sangrento evento que culminou com a morte do terrorista. Esta passagem, aliás, dá sentido ao nome do filme – a hora mais escura, para o Exército Americano, é 00h30, ou algo como Zero Dark Thirty no título original – e a decisão de impregnar a tela com a escuridão da meia-noite só aumenta o pânico e a tensão da audiência. Outro ponto muito aplaudível está no desfecho, quando a câmera de Bigelow contempla o rosto de Maya, solitária e sentada no interior de um avião de cargas. É uma cena dotada de intenso poder emocional, onde conseguimos sentir em detalhes o imenso vazio que preenche toda a história. Um inesperado convite à reflexão.</p>
<p style="text-align:right;"><strong>NOTA: 8</strong><strong>,5  </strong><em><img title="yellow_star" alt="" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2010/09/yellow_star.png?w=22&#038;h=22&#038;h=22" width="22" height="22" /> <img title="yellow_star" alt="" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2010/09/yellow_star.png?w=22&#038;h=22&#038;h=22" width="22" height="22" /> <img title="yellow_star" alt="" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2010/09/yellow_star.png?w=22&#038;h=22&#038;h=22" width="22" height="22" /> <img title="yellow_star" alt="" src="http://obradoretumbante.files.wordpress.com/2010/09/yellow_star.png?w=22&#038;h=22&#038;h=22" width="22" height="22" /></em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/obradoretumbante.wordpress.com/4809/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/obradoretumbante.wordpress.com/4809/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=obradoretumbante.wordpress.com&#038;blog=15909296&#038;post=4809&#038;subd=obradoretumbante&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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